Fiquei "encabulado" no último dia 25 de junho de 2012.
Estava no aeroporto internacional de Detroit, no condado de Wayne, no estado americano de Michigan.
Voei pela primeira vez em 2008, desde lá nunca tive nenhum tipo de contratempo num aeroporto.
Neste dia, tive meu primeiro voo cancelado. Devido a um problema em uma das bombas de combustível do avião, meu voo foi cancelado.
Por isso, tive de esperar por mais de 6 horas no aeroporto até que o próximo voo estivesse disponível, e, como formigas, haviam alguns brasileiros esperando pelo mesmo voo.
Alguns estudantes, presumo eu, estavam ali, voltando para casa. Conversando em alto e bom português, para que todos, de certo modo, pudessem ouvir. Mesmo que não pudessem compreender.
Mas eu podia. E por isso fiquei encabulado.
Brasileiros conversando a respeito das caracteristicas das pessoas ao seu redor, tirando sarro de tudo e todos que ali estavam. Como se aproveitando do fato de que ninguém ali podia compreendê-los.
Mas eu podia, e por isso fiquei encabulado.
Como escrevi algum tempo atrás, este lugar é um pouco diferente, culturalmente diferente. E comentar sobre o que cada um veste ao seu redor, ou quanto cada um pesa, se é feio ou magro não faz parte deste lugar.
Fiquei encabulado porque também fazia isso.
Fiquei com vergonha de mim mesmo.
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sexta-feira, 6 de julho de 2012
domingo, 22 de maio de 2011
Preconceito Silencioso
Há alguns anos atrás eu achava que era sortudo, pois vivia num país que era pouco preconceituoso. Um país que tratava todos, independente de credo, raça, ou formação, de maneira mais ou menos parecida.
Minha opinião mudou. Conheci um país situado acima da linha do Equador que faz fronteira com o Canadá ao norte e com os Estados Unidos Mexicanos ao sul. Neste país há preconceito, e muito, de todas as formas, e as vezes é o estopim de acontecimentos nada agradáveis.
Porém há uma grande diferença. Este preconceito não é silencioso, ninguém repara na sua roupa, no seu peso, na sua aparência dentro de um shopping, durante as compras num supermercado, ou ainda ninguém ri de você num ambiente público. Há exceções, claro que há exceções, porém essas exceções são punidas.
Deficientes físicos são empregados nas mais diversas funções e estes são cientes das funções que podem realizar e de como interagir com a sociedade. No estado onde dizem que nasceu o automóvel, por exemplo, redes de supermercados valorizam a mão de obra de pessoas que podem ser consideradas diferentes ou até “diferenciadas” conforme a definição dos moradores de Higienópolis em São Paulo – SP.
Há dois anos atrás eu compartilhava da idéia que este país do norte tinha a maior população obesa do mundo. Isso pode até ser verdade, porém aqui as pessoas não tem vergonha de sair de casa, de se mostrarem, de fazerem o que gostam, e mais importante: tem consciência dos fatos que enfrentam.
Enfim, não há o silêncio.
Minha opinião mudou. Conheci um país situado acima da linha do Equador que faz fronteira com o Canadá ao norte e com os Estados Unidos Mexicanos ao sul. Neste país há preconceito, e muito, de todas as formas, e as vezes é o estopim de acontecimentos nada agradáveis.
Porém há uma grande diferença. Este preconceito não é silencioso, ninguém repara na sua roupa, no seu peso, na sua aparência dentro de um shopping, durante as compras num supermercado, ou ainda ninguém ri de você num ambiente público. Há exceções, claro que há exceções, porém essas exceções são punidas.
Deficientes físicos são empregados nas mais diversas funções e estes são cientes das funções que podem realizar e de como interagir com a sociedade. No estado onde dizem que nasceu o automóvel, por exemplo, redes de supermercados valorizam a mão de obra de pessoas que podem ser consideradas diferentes ou até “diferenciadas” conforme a definição dos moradores de Higienópolis em São Paulo – SP.
Há dois anos atrás eu compartilhava da idéia que este país do norte tinha a maior população obesa do mundo. Isso pode até ser verdade, porém aqui as pessoas não tem vergonha de sair de casa, de se mostrarem, de fazerem o que gostam, e mais importante: tem consciência dos fatos que enfrentam.
Enfim, não há o silêncio.
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