Mostrando postagens com marcador comportamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador comportamento. Mostrar todas as postagens

domingo, 18 de maio de 2014

Ah, O Sonho Americano...

Após 4 anos nos EUA, morando em duas cidades diferentes, e trabalhando em dois lugares diferentes, acho que tenho certa autoridade pra comentar o que vejo e até comparar o Brasil, com os EUA.
Quando cheguei aqui, fui trabalhar na cidade de Auburn Hills, e morava na cidade de Rochester no estado de Michigan. Cidade muito rica, casas enormes, parques pra passar o final de semana, e por aí vai. Um detalhe. Cidade rica, sem transporte público. Dirigia todo dia 25 minutos até o trabalho, por um caminho que não existem nem calçadas para pedestres, afinal ninguém precisa de ônibus, a cidade é rica, e todos tem carros.
E eu pensava: Que lugar é esse, onde todos podem ter carros, onde não é necessário pegar um ônibus pro trabalho, onde calçadas não são necessárias?
Trabalhava na Matriz da empresa. Um escritório com pessoas de todos os lugares do mundo. Alemães, Canadenses, Americanos, ou Estadunidenses, Mexicanos, Húngaros, e Brasileiros. Não, eu não era o único Brasileiro ali.
Todos ali, tinham bons carros, motocicletas, o último modelo do i-Phone, compravam o Playstation 3 para seus filhos, e tiravam férias durante o verão de Michigan para aproveitar a casa na beira do lago, e o barco na garagem.
E eu pensava: Que lugar é esse? Todos tem a mesma oportunidade. Todos podem ter aquilo que desejam.
Mas um dia eu precisei levar minha esposa no médico. Ela reclamava de dores de estômago. Fiquei preocupado, e levei ela no médico. Após alguns exames de rotina, o médico solicitou que ela fizesse alguns exames extras. O custo dos dois exames: 950 dólares. Mesmo tendo convênio médico.
E eu pensei: Que lugar curioso. Não há saúde pública. O governo não oferece saúde publica. Sem convênio médico, os mesmos exames iriam me custar mais de 3000 dólares. No mesmo ano, fomos para o Brasil. Os mesmos exames custavam 250 reais, sem convênio médico.
Depois de 2 anos trabalhando na Matriz, decidi que era hora de mudar. A empresa me ofereceu uma posição numa nova planta, na cidade de New Boston, Michigan, distante uma hora de carro de onde eu morava. Tinha de mudar.
Alugamos um apartamento na cidade de Novi, Michigan. Uma cidade um pouco diferente de Rochester. Não há calçadas, não há ônibus, ou transporte público. Porém há carros quebrados por todas as ruas. Carros velhos.
Trabalhando numa planta de produção, aprendi muitas coisas:
A primeira foi não é todo mundo que tem um bom salário. O salario mínimo aqui nos EUA é de mais ou menos 8 dólares por hora, trabalhando 40 horas por semana, isso dá um salario mensal de mais ou menos 1300 dólares por mês. Operadores ganham isso. Parece bastante, mas daí começam as diferenças:
-        Não há vale transporte
-        Não há vale refeição
-        Não há transporte público
-        Não há saúde pública. Você tem de pagar convênio médico. A empresa te ajuda pagando 50%.
Há muitas contas, e no final do mês não sobra nada pro barco, vídeo game, ou carro.
Já vivenciei situações que pessoas não vem trabalhar porque o carro quebrou, e não há ônibus, ou ainda, carros que ficam estacionados na empresa por dias, porque a pessoa não tem dinheiro para o conserto.
Outros comem cachorro quente todo dia porque não sobra muito pra uma refeição melhor depois de pagar aluguel, contas de água, luz, e gás.

O que quero dizer, é que precisamos ver o que acontece fora do nosso universo. Quando se viaja pros EUA a passeio, só se vê o que é bonito, o que é turístico. Quando a gente sai da nossa zona de conforto é que vemos as diferenças.
Comprar algumas coisas no Brasil são mais caras, mas se pensarmos um pouco mais, quais são as diferenças?
-        Saúde pública, mesmo que ruim, ainda existe.
-        Vale transporte.
-        Transporte público: Sim, eu posso ir pro trabalho de ônibus
-        INSS. Nos EUA você é responsável pela sua aposentadoria.


Enfim, reclamamos de algo que não entendemos o mínimo para comentar, ou ainda não sabemos o que acontece fora do nosso universo.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

1970 versus 2011

Cenário 1: João não fica quieto na sala de aula. Interrompe e perturba os colegas.
Ano 1970: É mandado à sala da diretoria, fica parado esperando 1 hora, vem o diretor, lhe dá uma bronca descomunal e João volta tranquilo à classe.
Ano 2011: É mandado ao departamento de acompanhamento psicoeducacional, o diagnosticam como hiperativo, com trastornos de ansiedade e déficit de atenção em ADD, o psiquiatra lhe receita Rivotril. Se transforma num Zumbí. Os pais reivindicam uma subvenção por ter um filho incapaz.

Cenário 2: Luis quebra o farol de um carro no seu bairro.
Ano 1970: Seu pai tira a cinta e lhe aplica umas sonoras bordoadas na bunda. A Luis nem lhe passa pela cabeça fazer outra nova "cagada". Cresce normalmente, vai à universidade e se transforma num homem de bem e profissional de sucesso.
Ano 2011: Prendem o pai de Luis por maus tratos. O condenam a 5 anos de reclusão e, por 15 anos proibido de ver seu filho. Sem a presença de uma figura paterna, Luis se volta para as drogas, delinque e fica preso num presídio especial para adolescentes. Torna-se um adulto marginal.

Cenário 3: João cai enquanto corria no patio do colégio, machuca o joelho. Sua professora Maria, o encontra chorando, o abraça calorosamente para confortá-lo...
Ano 1970: Rapidamente, João se sente melhor e continua brincando.
Ano 2011: A professora Maria é acusada de abuso sexual porque abraçou João e condenada a três anos de reclusão. João passa cinco anos de terapia em terapia. Seus pais processam o colégio por negligência e a professora por danos psicológicos, ganhando os dois juizos. Maria renuncia à docência, entra em aguda depressão e se suicida.

Cenário 4: Disciplina escolar.
Ano 1970: Fazíamos bagunça na classe... O professor nos dava uma boa "descompostura" e/ou encaminhava para a direção; chegando em casa, nosso velho nos castigava sem piedade. Resultado: Um mês sem ver televisão.
Ano 2011: Fazemos bagunça na classe. O professor briga e depois pede desculpas por chamar atenção na frente dos colegas. Nosso velho vai até o colégio se queixar do docente e para consolo... compra uma moto para o filhinho.

Cenário 5: Horário de Verão.
Ano 1970: Chega o dia de mudança de horário de inverno para horário de verão. Não acontece nada.
Ano 2011: Chega o dia de mudança de horário de inverno para horário de verão. A gente sofre transtornos de sono, depressão, falta de apetite, impotencia, gases e nas mulheres aparece celulite..

Cenário 6: Fim das férias.
Ano 1970: Depois de passar férias com toda a família enfiada num Gordini, após 15 dias de sol torrando na praia sem protetor, hora de voltar. A gente voltava feliz! No dia seguinte ia trabalhar, estudar e tudo bem.
Ano 2011: Depois de voltar de Cancún, numa viagem 'all inclusive', gastando litros de protetor fs 60, terminam as férias e a gente sofre com síndrome do abandono, estafa, attack, fuso horário e seborréia de origem emocional.

Os tempos mudam... Nem sempre pra melhor...